A nova NR-1 e a cultura da gentileza corporativa
O Brasil deu um passo importante com a atualização da Norma Regulamentadora que estabelece as disposições gerais sobre segurança e saúde no trabalho. A partir de amanhã, 26 de maio, a NR-1 passa a exigir que as organizações incluam riscos psicossociais, como estresse, assédio e burnout no gerenciamento de segurança do trabalho. Essa mudança é uma excelente oportunidade de repensarmos o ambiente corporativo.
Noélia Prado
5/25/20261 min read
As empresas capazes de incentivar ambientes saudáveis entre as equipes, até em momentos de tensão, dúvida ou frustrações, são mais valorizadas pelos seus públicos. Essa visão não é somente uma percepção pessoal ou resultado da minha experiência corporativa acumulada em mais de 20 anos em liderança de equipes. A Harvard Business Review já mostrou em diferentes estudos, por exemplo, que clientes e funcionários valorizam as organizações que criam relações mais humanas. Isso se relaciona, principalmente, com a comunicação.
As organizações investem em processos, em automação e em eficiência operacional. Só que as pessoas não se conectam com protocolos e sim com presença, escuta e percepção de cuidado. A forma como uma empresa vive, considera e estimula a comunicação interpessoal entre as equipes é tão importante quanto as soluções que ela oferece aos seus clientes ou os benefícios que proporciona aos seus colaboradores.
O Brasil deu um passo importante com a atualização da Norma Regulamentadora que estabelece as disposições gerais sobre segurança e saúde no trabalho. A partir de amanhã, 26 de maio, a NR-1 passa a exigir que as organizações incluam riscos psicossociais, como estresse, assédio e burnout no gerenciamento de segurança do trabalho. Essa mudança é uma excelente oportunidade de repensarmos o ambiente corporativo.
Não se trata apenas de cumprir a lei, mas de entender o papel preponderante que o ambiente tem nos resultados. Ambientes tóxicos adoecem pessoas e comprometem a produtividade.
Um ambiente gentil e colaborativo não significa ausência de compromisso ou de exigência com resultados. Tanto quanto os projetos e as metas, importam o respeito e a colaboração.
Não é suficiente adotar políticas internas de monitoramento de riscos psicossociais se a liderança não está aberta à escuta e à comunicação respeitosa e se os colaboradores não se sentem seguros para falar, dar ideias ou expor suas dúvidas.
Os líderes devem se perguntar:
Como eu falo com o meu time?
Como eu recebo um “não”?
As tarefas de cada um são comunicadas claramente?
Eu dou espaço para expressarem incertezas com o trabalho sem medo de julgamento?
Que tal transformarmos a exigência legal em um movimento pela comunicação gentil? Ela não é fraqueza, é força e performance.
Noélia Prado
