Engajamento está se tornando tema estratégico para as empresas. Que bom!

Durante muito tempo, engajamento foi tratado como pauta acessória: algo restrito à comunicação interna, a campanhas pontuais ou a ações de clima organizacional. Essa leitura está mudando. Ainda bem. Vivemos em um ambiente de exposição permanente, em que múltiplos públicos observam, cobram coerência e esperam diálogo de verdade e não apenas mensagens bem produzidas. Estamos, de fato, na era da Cocriação de Valor. E isso aumenta a complexidade da gestão.

Noélia Prado

1/15/20262 min read

Achei bem interessante a matéria publicada no Valor Econômico, em 8 de janeiro, com o título “Novos diretores de engajamento criam conexões com parceiros e funcionários – Recém-chegados ao C-level, eles usam estratégias de comunicação e marketing”. A pauta mostra como o tema vem ganhando status estratégico em empresas brasileiras. Isso não é por acaso.

Durante muito tempo, engajamento foi tratado como pauta acessória: algo restrito à comunicação interna, a campanhas pontuais ou a ações de clima organizacional. Essa leitura está mudando. Ainda bem.

Os dados ajudam a explicar por quê. Como o próprio jornal destaca, segundo o estudo State of the Global Workplace 2025, da Gallup, em 2024 a parcela de funcionários engajados no mundo caiu de 23% para 21%, gerando uma perda estimada de US$ 438 bilhões em produtividade.

O custo da desconexão é mensurável e crescente. Mas há um ponto que precisa ser avaliado pelas empresas. Não dá mais para olhar para os públicos de forma separada. Colaboradores, clientes, parceiros, acionistas, reguladores, imprensa e sociedade fazem parte de um mesmo ecossistema de relacionamento. O que a empresa pratica internamente inevitavelmente transborda para fora e o que promete ao mercado impacta diretamente quem está dentro.

Vivemos em um ambiente de exposição permanente, em que múltiplos públicos observam, cobram coerência e esperam diálogo de verdade e não apenas mensagens bem produzidas. Estamos, de fato, na era da Cocriação de Valor. E isso aumenta a complexidade da gestão.

Quando o engajamento não tem liderança clara e visão sistêmica, ele se fragmenta. Há um discurso para dentro, outro para fora; prioridades que não se conversam; ruído entre intenção e prática. O resultado é perda de confiança, tanto interna como externa.

Não é por acaso que começam a surgir funções dedicadas a integrar comunicação, cultura, reputação e relacionamento. O engajamento passa a ser entendido como uma ponte entre estratégia e execução, entre valores declarados e decisões tomadas, entre o que a empresa diz e o que efetivamente entrega.

Isso exige uma mudança de mentalidade. Engajar não convencer ou motivar pontualmente. É criar condições para alinhamento e confiança no médio e longo prazos. É traduzir a estratégia para diferentes públicos sem perder coerência e, ao mesmo tempo, trazer as tensões de todos eles para dentro do processo decisório.

Quando tratado como tema estratégico, o engajamento passa a fazer parte da gestão. Profissionais orientam escolhas, ajudam a priorizar agendas e sustentam o crescimento de forma consistente, especialmente em contextos de transformação, pressão por resultados e mudanças culturais.

Sem engajamento, nenhuma estratégia se sustenta. E sem critérios claros, ele não passa de boas intenções. O desafio está posto e ele não é pequeno.

Link da matéria: https://valor.globo.com/carreira/noticia/2026/01/08/novos-diretores-de-engajamento-criam-conexoes-com-parceiros-e-funcionarios.ghtml