Onde está a sua atenção quando alguém fala com você?
Sou adepta da gentileza. Criei o Que tal ser Gentil? Estudo, ensino e busco praticar Comunicação Não Violenta (CNV) todos os dias. Falo sobre empatia. Sobre escuta ativa. Sobre presença de verdade nas relações. E, ainda assim… esses dias eu fui desrespeitosa. Não por intenção. Mas por distração. E isso me fez pensar em algo que a gente quase não fala quando o assunto é comportamento no dia a dia.
Noélia Prado
2/23/20262 min read
Sou adepta da gentileza. Criei o Que tal ser gentil?. Estudo, ensino e busco praticar Comunicação Não Violenta (CNV) todos os dias.
Falo sobre empatia. Sobre escuta ativa. Sobre presença de verdade nas relações.
E, ainda assim… esses dias eu fui desrespeitosa. Não por intenção. Mas por distração. E isso me fez pensar em algo que a gente quase não fala quando o assunto é comportamento no dia a dia.
Fui pagar um estacionamento. Coisa rápida. Enquanto aguardava, fiz o que a gente sempre faz: peguei o celular pra “só dar uma olhadinha” nas redes e nas mensagens enviadas via WhatsApp.
Quando voltei pro mundo real, a caixa estava falando comigo, e eu não fazia ideia do que ela tinha perguntado. Ela repetiu. Eu pedi desculpa, sorri sem graça… Aquilo ficou comigo.
Porque não foi grosseria por escolha. Eu não quis ignorar ninguém. Mas, na prática, foi exatamente isso que aconteceu: eu ignorei uma pessoa que estava falando comigo.
Na Comunicação Não Violenta, a gente aprende que toda relação começa pela atenção ao outro. Presença é uma forma de respeito. Quando estamos fisicamente ali, mas mentalmente rolando um feed, a mensagem implícita é:
“isso aqui é menos importante que o que está na minha tela.”
E isso tem impacto.
Não é sobre demonizar o celular. É sobre consciência. A CNV nos convida a observar sem julgar. Então a pergunta não é “por que as pessoas estão mal-educadas?”, mas sim: o que está acontecendo com a nossa qualidade de presença?
Olha como essas cenas já viraram rotina:
– No restaurante, o garçom explica o prato e a gente nem levanta os olhos.
– No supermercado, alguém para o carrinho atravessado no corredor para responder a uma mensagem e fica no caminho.
– Na portaria, o porteiro cumprimenta e a pessoa passa direto, de fone e olhando a tela. – No elevador, alguém segura a porta e o outro nem percebe.
– Em reuniões, alguém fala e o outro está claramente resolvendo outra coisa no celular.
– Um familiar começa a contar algo importante e a resposta automática vem: “aham”… sem escutar de verdade.
– No caixa da farmácia, o atendente pede um dado e a pessoa só reage na terceira vez.
São microcenas. Mas microimpactos emocionais também contam.
A CNV fala de necessidades humanas. E uma das mais básicas é ser visto. Ser reconhecido. Quando ignoramos alguém por distração,mesmo sem intenção, podemos gerar frustração, desvalorização, impaciência.
E, às vezes, gentileza é algo muito simples:
Guardar o celular por dois minutos;
Fazer contato visual
Responder com presença real
Isso muda o clima. Diminui tensão. Humaniza o cotidiano.
A tecnologia conecta a gente com o mundo, mas pode nos desconectar de quem está a 50 centímetros de nós.
Talvez a nova etiqueta da gentileza seja essa: se tem uma pessoa na sua frente, ela é prioridade.
E eu sigo aprendendo. Inclusive com os meus próprios deslizes.
E você, já se pegou em alguma dessas cenas também?
